Qual o preço da liberdade numa gestão?

Ao observar as crianças, vemos nelas o ímpeto da liberdade e da independência. À medida que vamos acompanhando seu crescimento, percebemos que, pouco a pouco, vão caindo em uma cilada, fato comum às crianças de todo o mundo: o homem, em função das necessidades criadas por ele mesmo, vai abrindo mão de seus desejos mais primitivos de autonomia e aprisionando sua própria vida. Lutar contra essa prisão é, aparentemente, um desejo universal, mas poucos conseguem, pois o preço a pagar, na maioria das vezes, é insuportável.

Lembro-me de que, quando abri a Rae,MP, aos 22 anos, a imensidão de aprendizagem e descobertas que havia à minha frente era algo imensurável. Poderia ter-me sentido tolhido se tivessem me apontado todos os obstáculos que viria a enfrentar, mas, como ninguém me falou que era impossível, consegui vencê-los e chegar até aqui. Sempre fui daquelas pessoas que não se importam se já tentaram algo inúmeras vezes, se suas tentativas deram certo ou não.

Acredito que tudo, em todos os momentos e em todos os lugares, pode se apresentar de forma totalmente diferente para uns e para outros, e que a maior diferença seja quem está fazendo. Por alguns anos vivi da esperança, esperança que fazia com que acreditasse que um fio de cabelo pudesse segurar um elefante. Algo bastante surrealista, mas só assim posso traduzir o tamanho da minha crença na construção da minha empresa. Hoje penso que dinheiro algum neste mundo poderia fazer uma pessoa se dedicar e acreditar tanto em uma coisa como eu acreditei e continuo acreditando na Rae,MP. Minha escola, minha faculdade, minha pós-graduação foram passadas nesta empresa de maneira prática, com as provas que a vida me impôs. Nos resultados saíam as notas que ora me reprovavam com punições e grande aprendizado, ora me empurravam para os próximos anos que já sinalizavam provas mais difíceis.

A missão se desenhava na luta pela sobrevivência e na otimização das conquistas para abastecer a motivação própria, eu me agarrava em oportunidades e perspectivas como se fossem cipós, e ia em frente. Criar trincheiras sempre foi meu grande objetivo, para que, em alguns raros momentos, pudesse recuperar forças e olhar para trás. Era quando percebia o que já fora percorrido, desfrutava o orgulho pelo que havia conquistado com o passar dos anos e me sentia motivado a dar continuidade ao meu trabalho. Confesso que olho pouco para trás, pois o futuro de minha empresa está à frente, mas o passado me gera referência e orgulho, enquanto o presente me consome criando oportunidades para o amanhã. Após 21 anos continuo livre, fazendo dos meus dias realmente os meus dias, tendo a liberdade de agir do meu modo e como eu gostaria que fosse, e esse sentimento de liberdade não tem preço, nem pode ser avaliado por quem não está envolvido de fato numa determinada gestão.

Deixe um comentário