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15

A difícil tarefa de tirar o paninho de nanar!!

Logo cedo em nossas vidas demonstramos a necessidade de estar apegados a alguma coisa para nos sentirmos seguros.

Um exemplo é aquele paninho já roto pelo uso e que acompanha o já não tão bebê em muitas de suas caminhadas.

Acho que, se soubéssemos o quanto é bom as pessoas que têm poder sobre nós tomar a atitude de tirar o nosso paninho de dormir, sem dó, nossa evolução e nosso aprendizado seriam mais rápidos e mais bem assimilados.

É muito bom olhar para uma pessoa de quem gostamos e perceber que ela está confortável e feliz. Aí pensamos: por que tirar o paninho se ela gosta tanto?

Sabemos que, se tirarmos o paninho, ela terá de enfrentar o novo, terá de iniciar um novo processo de aprendizado, não terá mais um apoio com que se acostumou, terá de se reinventar e novamente se adaptar. Então ficamos apreensivos, tememos causar-lhe medo e apreensão, tirá-la do conforto e privá-la de tantas outras coisas que a mantêm feliz e acomodada.

O que percebo é que essa relação entre quem ama e quem é amado sofre algumas grandes distorções, pois jamais as lições pelo sofrimento serão entendidas por completo. Jamais vi um pai ou uma mãe dar um tapa na bunda de um filho como correção e não ir dormir com remorso ao ouvi-lo soluçando embaixo das cobertas.

Acredito que a dor do mestre sempre será maior que a dor do aprendiz.

O aprendizado para o crescimento está diretamente ligado à capacidade de largar o que antes parecia seguro para se encorajar na busca de outros “paninhos”.

Muitos de nós buscamos a oportunidade para podermos arriscar, mas poucos são os que largam o “paninho” com a convicção de que, para pegar outro, existe uma barreira a ser rompida, e essa barreira pode exigir da pessoa muita humildade, desprendimento, autoconfiança e segurança própria.

Achar que dependemos do paninho para conseguirmos o almejado pode ser um de nossos maiores erros.

Por isso, antes que alguém tente puxar o seu paninho para o seu bem, jogue-o fora assim que perceber que ele já não faz mais parte do momento.

Marcelo Ponzoni

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mai

11

Você é da turma do: Vamos fazer! ou do Precisamos fazer!?

Direto ao assunto, pois este me provoca em particular. Quando você vai para uma reunião de trabalho no intuito de desenvolver uma tarefa em equipe, onde todos à mesa têm funções distintas para a completa execução, você é daqueles que sai da reunião para fazer de verdade ou sai para esperar que façam por você?

Acredito que, para aqueles que entram numa sala de reunião de trabalho, a predisposição em captar a tarefa , tirar dúvidas e sair para a execução da mesma deva ser o princípio básico e lógico da atuação, que sequer precisa ser colocado à mesa. Mas, infelizmente na prática isto não se confirma. É mais que comum haver diferenças entre os profissionais. Os perfis são diferentes, existem os ouvintes analíticos, os falantes compulsivos, mas uma coisa acredito ser comum a todos é o esforço, ao sair da sala, para a atitude. Isto é muito parecido com as tarefas em grupo que recebíamos na escola, os famosos trabalhos em grupo, em sala, e lições para casa onde as coisas se complicavam mais ainda. Percebam que este problema já existe em nossas vidas há tempos.

Fazer e precisar fazer tem uma diferença muito grande, e com certa facilidade os grupos conseguem separar quem é quem. Isto diz respeito ao comprometimento, solidariedade, engajamento, responsabilidade, colaboração, envolvimento, vontade, seriedade, capacidade e mais alguns atributos que não me vêm à cabeça.

A pior fuga de um profissional é a de si próprio, e no mundo das empresas não existe esconderijo: todos somos expostos às nossas virtudes e fraquezas, e neste campo somente a verdade tem espaço. Vejo no dia a dia profissionais acreditando estarem efetivos diante dos inflamados “ Precisamos fazer “, mas mal sabem ou pouco percebem o que estão causando para sua própria imagem.

Percebo às vezes que existem profissionais que entendem as suas incapacidades em certos trabalhos, mas os vejo sendo colaborativos no geral, pois existem muitas tarefas ao redor de um projetos que precisam ser feitos. Às vezes a simples preocupação e atenção com os demais caracteriza uma entrega, mas não são todos que podem fazer parte dessa entrega, porque os trabalhos passam por um processo de competências independentes. Mesmo assim, isso não é motivo para soltarem as mãos. Já tive em minha experiência vários casos práticos e os mais marcantes e felizes foram aqueles em que houve real engajamento em equipe. Sempre faço uma analogia com a Formula 1, onde são investidos milhões de dólares, além da bagagem de cada um da equipe para chegar a um resultado e excelência, mas caso a menor das responsabilidades falhar na hora de apertar uma porca na parada do pit-stop, tudo vai por água abaixo. Claro, erros acontecem e até eles são amenizados quando o grupo percebe força, dedicação e empenho por parte do companheiro, mas, em grande parte, não é isso que vemos nas empresas.

Esse assunto é pouco abordado e, inevitavelmente, irá gerar desgastes e desentendimentos entre as pessoas, que defendem suas convicções e percepções. Ao longo dos anos já ouvi de tudo, e a questão está longe de ser resolvida.

Por vezes, não somos o profissional mais importante na mesa de reunião, mas sempre precisamos entender nosso papel, seja ele qual for. Para isso, é necessário entregarmos colaboração, ânimo, aproximação, informação, comprometimento e principalmente engajamento e solidariedade. Reforço isso desde o início, porque é uma questão séria e muito presente em nossas vidas corporativas.

Frequentemente, a ajuda dos integrantes não está na execução mais intelectual. Ela reside nas pequenas partes como um acompanhamento de um finalizador ou preparador de layouts, um encadernador ou naquele que coordena o cronograma e os prazos, na localização de um motoboy ou no aviso aos departamentos envolvidos. Para todo o trabalho existem muitas tarefas e cada um deve servir ao grupo, o famoso um grupo por todos e todos por um grupo. Assim deve ser.

Na próxima reunião em que entrar, pense nisso, apresente isso. Aos líderes, trabalhem este tema com relevância. Aos liderados, encontrem o seu papel e se entreguem com fervor. Tenho certeza que se cada um entender o seu papel e fizer a sua parte, muita coisa irá melhorar, em sua existência, no grupo, na empresa e consequentemente na vida de todos.

Quando você ouvir,” PRECISAMOS FAZER “ fique preocupado, e lembre-se desta história:
“Esta é uma história de quatro pessoas: TODO MUNDO, ALGUÉM, QUALQUER UM e NINGUÉM. Havia um trabalho importante a ser feito e TODO MUNDO tinha certeza de que ALGUÉM o faria. QUALQUER UM poderia tê-lo feito, mas NINGUÉM o fêz. ALGUÉM zangou-se porque era um trabalho de TODO MUNDO. TODO MUNDO pensou que QUALQUER UM poderia fazê-lo, mas NINGUÉM imaginou que TODO MUNDO deixasse de fazê-lo. Ao final, TODO MUNDO culpou ALGUÉM quando NINGUÉM fez o que QUALQUER UM poderia ter feito.” Autor desconhecido.

Marcelo Ponzoni

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mai

04

Segure o timão no mar revolto

“O mar virou.” Você já ouviu esta expressão? Muito comum entre os caiçaras, significa que findou a calmaria e será preciso ficar atento ao que virá.

Fascinante e belo, o mar é volúvel. No cotidiano, é alterado pela ação gravitacional da Lua e também do Sol. São as marés, que oscilam em ciclos de 12 horas e 25 minutos.

O mar também pode mudar se influenciado por súbitas alterações climáticas, como no caso de ciclones e furacões. O movimento que mais assusta é o do tsunami, em geral provocado por um sismo ou erupção vulcânica.

Os mais experientes costumam ler os sinais e prever uma alteração súbita no nível e no comportamento do mar. No caso do maremoto, por exemplo, um grande recuo da água precede a onda devastadora.

Não é diferente na vida de um indivíduo ou de uma empresa. O mar pode ser baixo e calmo. Em seguida, pode se tornar alto e revolto.

Compreender essas variações é, muitas vezes, o que determina o sucesso de uma pessoa ou empresa, não importa o que faça e que negócio desenvolva.

O conhecimento frequentemente nos oferece ferramentas para prever ciclos, ou seja, para saber quando algo vai subir e quando algo vai descer. Isso vale para marés, humores e atividades econômicas.

Da mesma forma, o empreendedor experiente identifica o aparecimento de uma oportunidade e prevê a virada num mercado, momento em que o modelo de negócio exige reinvenção.

Se imaginarmos a empresa como uma embarcação, poderemos dividir os tripulantes em três categorias básicas: experientes, traumatizados e marinheiros de primeira viagem.

Dos experientes, já tratamos. Os traumatizados não souberam assimilar as lições oferecidas pela mudança. Lembram-se somente do incômodo, do sofrimento e das perdas. Muitas vezes, paralisam-se, temerosos de reviver o infortúnio.

Os marinheiros de primeira viagem muitas vezes pecam pelo excesso de coragem ou pelo excesso de prudência. Sem balizas, não são capazes de dimensionar a onda da mudança e nem como manter o barco no rumo certo.

Aproveitando as marés

Hoje, os cientistas já sabem até mesmo como gerar energia a partir das marés. Nesse caso, o fenômeno não assusta. Ao contrário, serve como propulsor da mudança controlada.

É o que ocorre, por exemplo, com aqueles que hoje percebem o esgotamento dos recursos naturais. Detectam a mudança, preveem a crise, mas aproveitam para lançar produtos diferenciados, recicláveis e menos poluentes.

Em minha trajetória, vi a maré subir e descer muitas vezes. Em alguns momentos, a água foi embora do porto e a embarcação-empresa quase perdeu a capacidade de flutuar.

Aprendi a suportar pressões e a conviver com a adversidade. A saída foi exercitar o raciocínio, imaginar adaptações e prever vantagens e desvantagens resultantes de cada decisão.

O gestor, nesse caso, enfrenta alguns dilemas clássicos:

• Desfazer uma equipe de talentos que demorou a ser treinada ou empenhar os minguados recursos restantes no pagamento dos salários?
• Preservar o caixa da empresa ou continuar a investir naquele espetacular projeto de inovação?
• Tentar sair da crise apostando no desenvolvimento de um produto diferenciado ou reduzir o mix e focar no que ainda é lucrativo?

Nessas grandes provas, são inúmeras as variáveis e cada decisão pode alterar todo o processo. Cada empreendedor-gestor soma suas intuições, crenças e habilidades e procura obter o melhor resultado possível.

Em geral, não existem manuais ou fórmulas prontas. Cada empresa depende das condicionantes de sua cultura interna, do perfil de seu mercado e das condições macroeconômicas vigentes.

Confesso que vi o mar enfurecer-se várias vezes. E nunca deixei que a natureza resolvesse sozinha o problema.

Foi, assim, por exemplo, nos primórdios de minha agência. Na maré baixa, usei a criatividade para encarar os mirabolantes planos econômicos governamentais. Na maré alta, aproveitei para investir em equipamentos, instalações e formação de pessoal.

Em meu caso, nenhum momento foi igual ao outro. Procurei ter calma, analisar os problemas e seguir em frente.

Se há um maremoto, espero passar e sigo em frente. Afinal, é o desafio que alimenta o espírito empreendedor.

Admito que sou um competidor. Assim, de cada queda, tirei uma lição. Dali, ergui-me para outro patamar. No caso da Rae,MP, o mar revolto já nos tirou gás, já nos roubou os anéis, mas nunca cogitamos do naufrágio.

Falo na primeira pessoa do plural porque, nessas horas, identifiquei pessoas valorosas, determinadas e comprometidas com nosso projeto.

A arte do timoneiro

Muitas vezes, enfrentamos situações que fogem ao controle, especialmente quando não contamos com um plano de contingência.

Nosso livre arbítrio não é, portanto, capaz de gerar uma solução. Sofremos perdas e nos afastamos da rota.

Vencer essas dificuldades requer de nós sapiência, equilíbrio, maturidade, responsabilidade e, por fim, muita ação. E, tenha certeza, o capitão empreendedor-gestor é que precisa animar os tripulantes.

Ele precisa ser realista, deve ouvir os argumentos dos parceiros e colaboradores e não pode se deixar contaminar pelo catastrofismo. Afinal, alguém sempre dirá que o mundo vai acabar e que não há esperança.

Se há uma crise, é momento de pensar e ponderar. Completar esse exercício durante o maremoto, com pessoas gritando e ondas inflamadas, proporciona-me uma sensação de PAZ e EQUILÍBRIO.

Costumo me apresentar a seguinte pergunta:
- Marcelo, depois de se aventurar em tantos mares, você vai agora recuar à costa?

Olho para trás e repasso mentalmente as batalhas vencidas. Invariavelmente, a resposta é firme:
- Não! Vou seguir viagem!

Essa postura se aplica aos outros papéis que desempenho nesta vida, como pai, tio, irmão, filho, amigo e cidadão.

Portanto, caro leitor, saiba que não existe calmaria eterna, tampouco tempestade que não cesse.

Se você está no porto ou no mar, que seja por sua livre escolha. Como capitão, busque sempre aqueles marinheiros que não fixam data de retorno.

Prefira os que não se acovardam diante das tormentas e que sabem desfrutar das calmarias de alto mar.

Quem a terra firme escolher só as histórias da imaginação poderá saborear.

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