A insegurança e o poder!

Duas palavras que, juntas, criam arrepios em muita gente. Separadas, são mais bem absorvidas e assimiladas, mas hoje vamos focar em sua junção.

É muito difícil encontrar quem ainda não experimentou conviver com este “monstro do lago”. Seus efeitos no dia a dia e na memória das pessoas são marcantes. Definem-se na verdade, como referências de avaliações futuras, e após o convívio, estabelecem uma identificação quase que imediata.

Conviver com a insegurança nos cargos de liderança, seja presidência, diretoria, gerência e até supervisão, é no mínimo uma grande escola do que não se deve aprender na escalada corporativa.

Sua capacidade de destruição de valores e percepções de atributos é devastadora, mas a principal destruição é a da confiança, elo fundamental da formação de energias positivas e sinergias do processo de execução.

Em um dos meus textos, “o poder cresce à medida em que você não o exerce”, http://www.marceloponzoni.com.br/index.php/pensamentos/o-poder-cresce-a-medida-que-voce-nao-o-exerce-2/ , procuro de maneira inversa, apresentar os benefícios do tão almejado poder, e quanto o exercício da segurança plena e a não utilização deste aparente cajado pode resultar em aumento de conquista, confiança e por fim, do poder.

A insegurança por si só é um grande inimigo do ser humano. Suas motivações fogem da total compreensão e muitas vezes se tornam as prisões dentro de vários corpos. As reações de defesa interna são destrutivas perante as percepções alheias que não se esforçam para identificá-las, pelo contrário, são percebidas em fração de segundos pelos neurônios.

Mesmo não somada ao poder, a insegurança deflagra desarmonia nas equipes operacionais, e pelo mesmo motivo da quebra de confiança no exercício da defesa constante, estabelece a diminuição da sinergia construtiva. O todo, que deveria ser muito maior que as partes, passa a ser segregado e a fluência de motivação e criatividade se esfarelam.

Os inseguros são facilmente apontados por seus grupos de convivência, e normalmente quando deixam suas equipes, muitas delas retomam a harmonia, dinamismo e sinergia, pois a soma 1 + 1 = 2, volta a gerar resultados de 3, 5, 7…

Muitos inseguros são abertos para que possamos ajudá-los a enfrentar esta mazela, sendo assim, sempre uso uma frase que muito me marcou, e é o lema do AA “Se você quer parar de beber, o problema é nosso, se você não quer, o problema é seu”.

Acredito que sempre tenhamos que ajudar não só estas pessoas, como todas, a melhorarem suas inseguranças e deficiências, seja no operacional ou mesmo nos cargos de liderança, pois muitos passam a vida acreditando que só eles sabem disto e que suas defesas naturais são suficientes para despistar percepções.

Estamos todos em modo de aprendizado e a cada dia, mais necessitados de complementariedades, apoio pessoal e profissional.

Sorte daqueles que compreendem suas deficiências e se abrem com humildade e coragem.

Só esta atitude já mostra uma grande evolução pessoal.

Superação e Independência

Quando me deparo com estes dois temas, primeiro procuro traduzir o que está por trás de cada um.

A superação tem por impulso natural a necessidade frente à própria vida, o que para alguns, às vezes tarda a chegar em função do berço e das proteções ocasionais e, para outros, por serem expostas as dificuldades da vida logo no começo.

A independência é como se fosse a conquista do Olimpo, para 10 em cada 10 pessoas. Com certeza este se encontra no topo da pirâmide dos desejos.

Tratando-se de Brasil, parece ser comum a sequência destas buscas . No meu caso, por um destino da vida, vivenciei as duas situações pois até os 15 anos tive toda proteção, apoio e base e, mais do que de repente, a vida se transformou e um grande vazio se abriu aos meus pés. Os detalhes não fazem parte deste texto.

O que me motivou a escrever, foi tentar dimensionar a diferença de energia e impulso provocada por uma situação de necessidade (superação) e em outra, de desejo (independência).

É muito comum e até previsível que a maior de todas as buscas dos jovens em fase adulta, digo dos 18 aos 30 anos, seja a independência em suas vidas. A busca pela liberdade total os provoca a cada instante, porém, quando se trata de segurar a corda com garra e afiar os dentes para esta conquista, nem sempre a vontade se equipara à determinação.

Já no caso da superação, na busca das necessidades primárias da vida, é mais comum identificarmos o chamado sangue nos olhos em jovens e adultos, que não medem esforços para prover sustento às suas famílias e, dependentes, não soltam a corda frente às necessidades emergentes, até porque, soltar a corda pode significar o fim, o medo, o retorno e o sofrimento.

Já convivi e também vivenciei intensidades de todos os graus nestas duas buscas, e posso afirmar que se conseguisse tangibilizar estes níveis, seria muito prático demonstrar aos desejantes da independência o quanto precisariam se esforçar para ter êxito em sua busca.

O apático querer, que normalmente encontramos na busca pela independência, salvo algumas exceções, é insignificante perante à raça, persistência e determinação daqueles que buscam a superação.

Independência não é necessidade, mas sim um desejo. Pode ser que por este motivo, grande parte dos aspirantes ao trono dos independentes não compreendem o tamanho da energia necessária para alcançá-la.

A necessidade é sim uma propulsora da energia e da garra e, aqueles que não compreenderem este sentido na busca pela independência, terão grandes dificuldades para chegar ao Olimpo.

Querer, desejar, ter vontade não são suficientes para a jornada rumo a independência, mas tenho muita convicção que, arregaçar as mangas, otimizar e focar os esforços no objetivo, estudar e cavar oportunidades entre outras atitudes, podem e muito, colaborar na jornada.

Se é independência que você almeja, inspire-se naqueles que se superaram em algumas situações e extraia deles o conhecimento e atributos necessários para sua conquista.

Achar que merece ou que está fazendo o suficiente pode ser uma grande utopia.

Refletir sobre estes temas, poderá esclarecer alguns resultados que às vezes achamos negativos por parâmetros unicamente pessoais, os ditos paradigmas que tanto nos bloqueiam.

O amor e a sustentabilidade

A palavra AMOR provém do verbo AMAR, exerce em si uma atitude contínua e necessária para sustentar uma chama acesa e requer vontade e querer espontâneos.

Amamos tudo aquilo que nos é recíproco ao sentimento ou que nos traz bem-estar, alegrias, conforto, segurança e outras carências muitas vezes não conscientes, porém sentidas.

Sustentar é um ato de amor, assim como seu inverso. Vejo no dia a dia inúmeras provas dessa troca que se desenvolve entre seres humanos, animais, objetos e instituições, sejam elas religiosas, esportivas, familiares, etc.

Dar atenção às atitudes e ações desses dois verbos se trata de um ato nobre:

AMAR SUSTENTA e SUSTENTAR AMA.

A fórmula, além de ser simples e eficaz, gera reciprocidade, bem-querer e continuidade.

Tente fazê-lo com tudo e todos que estão a sua volta.

Os resultados? Sinta você mesmo.

Prepare-se para evitar as “dores de barriga” sazonais do seu negócio!

Como trabalhamos com diversos segmentos, é muito comum ver nos momentos de baixa de cada mercado, as quais inevitavelmente acontecerão, as áreas financeiras e comerciais ficarem bastante agitadas e pressionadas.

Os movimentos de demandas dos setores são sintomáticos ao comportamento dos consumidores – alguns mais, outros menos. Em áreas como turismo, serviços e produtos específicos, o impacto desses momentos pode oscilar muito por variáveis imponderáveis.

Neste inicio de ano, por exemplo, está sendo notório o aumento da temperatura em diversas regiões do país. Essa oscilação provoca reações das mais variadas – algumas até surpreendentes. Vejam no caso dos ventiladores: os telejornais estão noticiando a enorme escassez do produto. Embora não seja uma situação negativa para os fabricantes, passa a ser preocupante a partir do momento em que a demanda extrapola as possibilidades de escoamento de estoques e velocidade logística para repor as gôndolas.

Por outro lado, as vendas de aquecedores, apetrechos para lareiras e bebidas quentes amargam períodos de baixíssimo consumo. Dimensionar essa montanha russa com todas as suas nuances é uma tarefa quase impossível. Porém, um olhar atento pode minimizar aflições ou até ter grandes êxitos por conta de oportunidades imediatas.

De uns tempos pra cá, tenho observado que tudo acontece exatamente da mesma maneira. E o caso dos ventiladores é só um exemplo disso. Se ficarmos alertas a esse movimento de vai-e-vem e nos prepararmos para ele, podemos obter muito sucesso.

Outro segmento que me chamou a atenção neste início de ano foi o de salão de beleza. Janeiro já é um mês em que a baixa no consumo é esperada. Isso acontece por diversos motivos, como férias escolares e arrefecimento nos negócios. Neste mês, somou-se a isso o pico de calor, que afugentou ainda mais as consumidoras nos milhares de estabelecimentos existentes.

Esses acontecimentos valem como exemplo para todos os gestores dos segmentos mais vulneráveis para que não deixem que mais uma vez esse vai-e-vem tire o sono ou cause a famosa “dor de barriga” de dono, aquela que só quem tem um negócio estabelecido sente.

Sendo assim, comece a pensar em todas essas questões desde já. Não procrastine a lição de casa, aprenda com as situações atuais para que no futuro, você possa ultrapassar esse período com planos de contingência preparados.

Nos negócios, sempre existem maneiras e ideias criativas para reagir aos acontecimentos imponderáveis. Se quiser combater tais ameaças, são necessários planejamento, visão, acompanhamento de cenários e elaboração de ações de defesa.

Quando não existem antecipação e planejamento, o que resta é afobação, irritação, descontrole e URGÊNCIA. Como escrevi em outro texto, passe a focar no IMPORTANTE para que o seu negócio não viva na execução das URGÊNCIAS.

No planejamento de possíveis cenários negativos, podem morar ótimas sacadas frente a uma grande oportunidade que passa por nós, mas que nem sempre estamos preparados para aproveitá-la.

Feliz 2019, mas mais feliz ainda 2020!

A misericórdia nos tempos modernos

Confesso que há muito tempo não escutava alguém pronunciar essa palavra no dia a dia de maneira corriqueira e, se ouvi em algum momento, deve ter passado de maneira despercebida. Quando uma palavra soa em minha cabeça como um sino, logo procuro reviver o seu entendimento na essência – acho que é até um vício da minha costumeira curiosidade.

Com a velocidade de encontrar significados disponíveis em nossas mãos, esse hábito se tornou ainda mais latente e lá fui eu novamente em busca de compreensão não só do seu significado, mas também do que o termo poderia ter a ver com os nossos dias.

Ao pé da letra e como resultado imediato da minha pesquisa, a expressão misericórdia tem origem latina e é formada pela junção de miserere (ter compaixão) e cordis (coração). De cara, a etimologia da palavra já conversou comigo. “Ter compaixão do coração”significa ter capacidade de sentir o que a outra pessoa sente, de aproximar seus sentimentos dos sentimentos de alguém, de ser solidário com as pessoas.

Enfim, está aí mais uma oportunidade de falar da empatia, uma palavra tão atual e de imenso significado a ponto de se transformar, pelo menos em nosso meio de comunicação, no verbo empatizar, que quer dizer agir proativamente para tentar vivenciar a situação ou a experiência do próximo.

Na disciplina de Design Thinking, metodologia que venho estudando há algum tempo, empatizar é, sem dúvida, o ponto crucial para trazer à luz toda transparência de um determinado assunto ou problema. Aprendi que existe uma profunda diferença quando alternamos a maneira de empatizar.

A primeira aptidão do exercício da empatia é a sua pré-disposição em querer realmente conhecer a fundo como as pessoas se comportam, sentem, experimentam, convivem e reagem sobre determinados assuntos, produtos ou situações.

Para aprofundar o entendimento de maneira conclusiva, é necessário ativar três caminhos. O primeiro é a observação a distância, que propicia adquirir conhecimentos naturais das pessoas sem que elas se preparem, ou melhor, se protejam de realidades constrangedoras. É na observação que conseguimos avaliar gestos espontâneos, reações imediatas, ações empíricas, entre outras atitudes expressadas sem filtros.

O segundo caminho é a vivência real do empatizador; é literalmente se colocar no lugar do outro em suas mais intensas experiências. No caso hipotético de empatia por um motoboy, será necessário vestir a capa de chuva, colocar o capacete, andar pelo trânsito caótico, aguardar em portarias, carregar as mercadorias, viver o seu dia a dia de maneira real e integral; é, na realidade, tornar-se um motoboy na essência.

E por fim,  a pesquisa de empatia. Trata-se de um papo muito aprofundado de livre expressão em que se busca provocar as lembranças vivenciadas e extrair os sentimentos de experiências tanto positivas quanto negativas e percepções arquivadas na memória das pessoas que possam validar as conclusões das outras duas técnicas.

Antes de me envolver com o Design Thinking e suas maravilhosas ferramentas de trabalho, tinha uma compreensão limitada de como desenvolver empatia holística. Nessa busca, também aprendi com maior ênfase o papel relevante da compaixão ao conhecer maneiras mais técnicas de conhecimento do próximo, suas dores, ponto de vista, razões e orientação.

Você pode não ter interesses diretos nessa área, mas com certeza compreende as formas de desenvolver a empatia e, por consequência, a compaixão de que tanto ouvimos falar.

Quem se pré-dispõe a entender o próximo tem grande chance de evoluir como profissional e principalmente como pessoa.

A construção do atributo da persistência

Não foram poucas as vezes em que fui questionado a respeito do principal atributo

que sustentou a agência por esses mais de 30 anos. Hoje, sem pestanejar, retorno a resposta: PERSISTÊNCIA. E como manter essa característica tão subjetiva, viva por tanto tempo?

Embora a persistência seja um atributo, entendo que ela possa ser construída a partir de algumas premissas com as quais sustenta e protege a sua integridade perene.

Nos dicionários, persistência é uma característica daquilo que não se desiste fácil. Agir com persistência é ser esforçado e focado em seus objetivos, sem se deixar abalar facilmente por quaisquer críticas ou situações negativas.

Contudo, essa explicação é vaga para aqueles que necessitam tê-la em seu maior exponencial.

Na atividade empreendedora, é muito comum esbarrarmos nesse termo para definir uma característica intrínseca a ela. Vejo muitas pessoas se esforçando para explicá-la e exemplificá-la, mas a definição parece pouco conclusiva.

O assunto é tão relevante que achei importante tentar construir um significado para persistência, já que a coloco sempre como principal atributo de sucesso na vida empreendedora.

Vamos lá:

Toda subjetividade deve ser amparada por crenças concretas, estudos científicos, análises estáticas e pesquisas embasadas que, somadas, dão credibilidade a ideias e conceitos. Nesse sentido e por ser um atributo puramente humano, ele se caracteriza pelo tempo em que é empregado. Uma vez que a desistência toma posição, a persistência passa a não ter mais sentido e se torna uma simples palavra.

Compreender a relevância, a força e a onipresença desse termo é a primeira de todas as lições. Por ser o mais importante de todos os atributos, deve-se imaginar a sua grandiosidade, liderança e poder na vida empreendedora. Porém, como disse acima, sua força tão grande pode ser destruída por um simples pensamento de desistência.

Durante esses anos, presenciei dezenas de aspirantes a empreendedor abandonando as suas persistências por desafios ínfimos, barreiras frágeis e impossibilidades minúsculas, desligando assim, suas persistências de maneira desnecessária. Muitos deles não tiveram a mínima visão de onde poderiam chegar caso tivessem mantido a convicção. Indo mais longe, a persistência não é um sentimento, mas sim uma crença.

Acreditar é, sem dúvida, um dos pilares de sustentação da persistência. Só persistimos diante daquilo que nos impede e nos bloqueia de seguir em frente se acreditarmos que dará certo. A crença pode e deve estar vinculada às capacidades econômicas, intelectuais, emocionais, físicas e espirituais de cada um.

Não existe meia persistência. Ela só exerce sua função de maneira completa e perene. Trata-se de uma decisão convicta, de uma escolha definitiva. Nela, os empreendedores depositam todas as suas aspirações, convicções, certezas e, principalmente, os seus maiores sonhos.

Persistir é uma atitude concreta, uma ação permanente e amiga da determinação, da garra, do brio em se conquistar algo almejado, seja lá o quanto isso irá consumir de suas energias, tempo e recursos.

Alguns pensamentos sempre fizeram sentido e ajudaram a consolidar essa construção:

  1. Sempre acredite que o êxito está próximo.
  2. Creia que passar o obstáculo é o mais importante passo para a conquista.
  3. Defina que atravessar o impossível possa ser o maior diferencial da sua conquista.
  4. Estipule um mérito próprio a cada vitória ultrapassada como mais um degrau da escalada.
  5. Aceite desafios como provas a serem vencidas e esteja ciente de que as próximas serão mais exigentes.
  6. Desfie a potência da sua persistência e lide com ela como um grande desafio.
  7. Comemore as camadas de resistência a cada superação.
  8. Incentive a todos a serem persistentes, pois passará a ser o exemplo e inibirá qualquer pensamento contrário.
  9. Mentalize a força da sua persistência e a capacidade de resiliência diante dos acontecimentos.
  10. Credite vitórias a esse atributo como um reforço à sua crença.

Como visto, esse é um assunto de muita importância. Sua atenção, entendimento e empenho na construção de suas forças poderão determinar o sucesso ou o fracasso da empreitada.

Não seja mais um a desperdiçar uma vitória futura por um simples abandono de quem mais poderá te ajudar em sua jornada: a sua amiga e companheira PERSISTÊNCIA.