Ando agoniado, com os olhos umedecidos continuamente e um gosto de lágrima na garganta. Este não é exatamente o sentimento que gostaríamos de estar tendo neste momento, mas é o que estamos volta e meia sentindo durante todo este período, uns mais, outros menos.

Quando nos sentimos assim, sabemos que algo não está bem, e que por mais que estejamos tentando desviar as coisas para bons acontecimentos, elas insistem em ir para lado oposto. Os dias se passam, deitamos e acordamos com uma vontade imensa de sair daquele sentimento.

Sou muito inquieto, meus pensamentos viajam por velocidades impressionantes, principalmente quando os caminhos não estão correndo como gostaria. Como disse Einstein “A criatividade nasce da angústia, como o dia nasce da noite escura.

Ao mesmo tempo, sabemos que precisamos ter calma, compreender os desígnios de nossas vidas. Nunca fui de forçar situações. Sempre acreditei e continuo acreditando que as coisas não acontecem por meros acasos. Às vezes, precisam dar voltas para chegar aonde gostaríamos e nem sempre o caminho é aquele mais simples, nem o que acreditamos ser o melhor.

Não só na minha vida como um todo, mas com inúmeras passagens em minha jornada, as coisas aconteceram nessa ordem, e quando as coisas se encaixaram, sempre procurei retornar mentalmente para avaliar aquele caminho percorrido e compreender os motivos daqueles desvios, que na hora, teimamos em relutar.

Mas a verdade é que, sempre que voltamos a vivenciar estes cenários, parece que jamais passamos por eles, parece ser nítido que desta vez será diferente, porém, posso testemunhar que não, pois a vida sempre está apontada para frente, principalmente quando temos em nossos corações que, por mais que tenhamos cometido erros, fizemos tudo com boa intenção, procurando ser corretos e justos, mas o errado, o não acontecimento, nos cobra, nos pune, nos interroga diante das nossas escolhas e decisões.

Da boca pra fora, aconselhamos e dizemos a todos para não se punirem, para verem o todo com compaixão, principalmente a si mesmos, mas quando percebemos, lá estamos nós novamente nos martirizando e cobrando muitas vezes, com muita crueldade, os aparentes erros que possamos ter cometido para que as coisas se apresentassem como estão.

Sim, somos todos iguais, sentimos coisas semelhantes por estarmos sob uma mesma cultura e vivenciando acontecimentos iguais.

Sentir não é nenhum pecado, pelo meu entendimento, mas deixar-se abalar ou convencer-se de seu próprio julgamento, pode não ser algo legal para nós mesmos. Se estamos vivendo algo oposto àquilo que planejamos ou miramos, temos sim que nos preocupar, temos sim que rever e arquitetar planos para nos desvencilharmos desta situação. Mas não devemos nos deixar vencer, não podemos esmorecer diante do desafio apresentado.

Sempre volto às minhas batalhas para analisar os cenários pré e pós-guerra. Retorno para avaliar onde, como, quando e em que situação eu estava. A verdade é que a vida, por uma questão mais do que natural, muda todos os contextos em cada fase, e o que havia de fortaleza anteriormente, pode não mais estar ao seu lado, mas tenha certeza que fraquezas do passado se tornaram fortes aliadas do presente.

Temos quatro inteligências principais ao nosso lado: a intelectual, a física, a emocional e a espiritual, e é lógico que não temos as mesmas potencialidades nelas, porém, conforme a vida segue, nos desenvolvemos nestas quatro frentes e são elas as nossas grandes aliadas. É claro que um equilíbrio com todas reunidas, seria a melhor das situações, mas nem sempre ou quase nunca, isto acontece.

Conhecer e reconhecer nossas limitações em cada situação, pode ser um grande passo para encontrar caminhos decisivos para retornarmos à nossa plena estabilidade, pois, se não somos assim, mas algo está nos incomodando, não será nos fechando ou apenas lamentando que sairemos destas situações!

A nossa mente e inteligência nos propiciam meios de encontrarmos caminhos, ou pelo menos, saber que existem saídas.

Só não podemos aceitar e nos fecharmos em nossos mundos, uma vez que sentimos e pensamos coisas semelhantes em situações adversas.

Conversar abertamente com coragem sobre o que sentimos, poderá ser o primeiro grande passo para encontrarmos saídas.

Vivenciamos momentos muito desafiadores, que nos tiram de nossas estabilidades, nos provocam a reagir, nos intimidam e nos encostam em cenários jamais vividos. Ninguém se sente à vontade nestas situações e sentir pressões e angústia nestes momentos é algo normal e compreensível.

Não existem deméritos quando somos francos e compreensivos com nossos sentimentos, pelo contrário, a coragem está em aceitar e enfrentar nossos medos e aquilo que nos desafia.

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