Lutamos todos os dias com a convicção de que estamos fazendo o máximo, e da melhor maneira, para chegarmos a lugares ainda desconhecidos. Às vezes paramos para pensar — é o que todos nós mais fazemos — e ficamos refletindo no nosso amanhã, no que passou, para onde vamos ou, quem sabe, para onde estamos sendo levados. Sim, porque se realmente pararmos para refletir com seriedade, vamos perceber que muitas vezes não conduzimos nossas vidas, que muitas vezes deixamos nos levar pelas situações, iludidos pelo fato de o amanhã ser desconhecido e, no fundo de nosso íntimo, desejarmos estar em lugares e situações totalmente diferentes daquelas em que normalmente estamos.

Aí surgem as perguntas: para onde estamos indo? Somos conduzidos por uma força desconhecida ou somos reflexo e resultado de nossas próprias atitudes e decisões? Por que nos esforçamos tanto para alcançar nossos objetivos e quando percebemos estamos a léguas tanto do ponto inicial quanto da meta que nos propusemos? Muitas vezes, por não obtermos respostas, abaixamos a cabeça e trabalhamos como verdadeiras máquinas de produção, deixando de lado tudo e todos, focados somente no resultado. Outras vezes paramos e filosofamos sobre nossas atitudes e nos posicionamos tentando entender e agir de maneira modelada por padrões, princípios e lições acadêmicas. As duas atitudes parecem estar corretas, mas o difícil é termos bom senso e sensibilidade para fazer os ajustes necessários e, mais ainda, saber da real eficiência de tudo isso.

Somos orgulhosos de nossa luta diária, de nossos esforços, achando até que somos únicos e que nossa carga é maior que a dos outros. Por isso, diversas vezes nos sentimos superiores, o que nos leva a algumas crenças ilusórias ou mesmo a faltar com a verdade. A mentira, esta erva daninha, tem como vítima principal o próprio idealizador, pois ele terá de fazer um enorme esforço, após as informações terem sido propagadas, para administrá-la, mantendo-a como verdadeira, tornando seu pensamento, sua fala e sua ação eternos escravos das suas fantasias. Quantas pessoas ao nosso redor não estão prisioneiras das verdades (ou mentiras?) a que somente seu íntimo tem acesso?

E como pode um indivíduo ser prisioneiro de si próprio, vivendo vidas totalmente desconectadas das suas reais verdades, tendo a ilusão de que está enganando alguém ou até mesmo levando pessoas a seu redor a viver uma vida que, no fundo, ele sabe que está baseada em falsas verdades? Parece haver uma única verdade: a que está dentro de nós. Por mais que escondamos ou relutemos, a verdade é única e sempre será imposta dentro do nosso íntimo. Meias-verdades não existem: querermos enganar a nós mesmos chega a ser um ato ridículo, é como se fosse uma peneira querendo fazer sombra ao sol. A verdade —no seu amplo e exato sentido —é uma das coisas mais difíceis de ser encarada pelo ser humano. E talvez essa seja a grande justificativa para mascarar a incrível força do vai-da-valsa, atitude que nos deixa cegos para perceber os reais valores e vivermos os verdadeiros momentos de felicidade que escorrem por nossos dedos no dia-a-dia.

Precisamos parar e pensar nas maravilhosas possibilidades de prazer e alegria que deixamos de vivenciar e usufruir por nos deixarmos levar pela incrível força do vai-da-valsa em nossas vidas. Precisamos nos dar conta de que existe apenas uma verdade, que ela é única, e só cada um de nós tem a possibilidade de colocá-la em prática. Buscar a verdade íntima pode ser um ponto de partida para se obter equilíbrio interno e, conseqüentemente, paz de espírito.

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