Que bom seria se tivéssemos a imensa humildade de perceber nossas deficiências e mudanças comportamentais! Que bom seria se conseguíssemos ouvir todas as críticas construtivas à nossa pessoa e assim reavaliar nossas atitudes! Que bom seria se a mudança de patamares financeiros e hierárquicos não alterasse nossos comportamentos! Mas a vida não nos proporciona essas possibilidades e, sendo assim, cabe a cada um de nós se auto-avaliar freqüentemente e decidir se suas ações e comportamentos estão adequados e alinhados com aqueles que realmente são importantes.

Todos nós observamos o próximo e fazemos avaliações com base em nossos gostos e valores e muitas vezes julgamos as pessoas pela maneira que acreditamos ser a melhor para nós. Dentro de uma empresa, todos observam todos, todos avaliam todos, todos colocam todos em paredões cobertos de referências e, assim, acabam julgando cada um de maneira totalmente diferente do que julgam uma outra pessoa de suas relações. Prova de que julgamentos são avaliações muito particulares e que podem ser prejudiciais dentro de uma sociedade, principalmente nas menores.

Existe em todas as sociedades uma grande competição, que, embora não declarada, ocorre todos os dias. Essas competições são confusas: por não serem declaradas, não há regras nem objetivos claros, e muito menos juízes. Às vezes os competidores brigam por determinadas posições que nada têm a ver com o jogo, pois os anseios muitas vezes diferem.

Assim como as competições são veladas, os resultados também são, e é nesse momento que a influência da conquista isolada de uma competição começa a afetar as percepções da sociedade, pois a vitória funciona como um divisor de águas, seja para uma pessoa física, seja para uma jurídica. A vitória traz com ela o prazer, a euforia do ego, a auto-segurança, o aumento da convicção, mas, paralelamente, sem que o campeão perceba, muitas vezes traz a arrogância, o sentimento de superioridade. O nariz empina, a voz engrossa, o peito incha… e de maneira natural, pois nossas reações são naturais e instantâneas.

Após todas essas transformações, existe algo que também muda muito, que é a percepção do próximo. E de maneira natural mudam também os julgamentos. Ser imune às mudanças comportamentais diante das vitórias e das derrotas é algo que necessita de muita atenção e autocrítica.

A grande e única verdade é que somos humanos, com características e reações semelhantes. A vida nos proporciona estudar e aprender com a sucessão de fatos e acontecimentos que deflagram em nós todos os tipos de reações e percepções. Vivenciar esse aprendizado com atenção e tirar dele grandes lições é o nosso desafio.

Refletir sobre esse assunto pode ser um bom exercício para o nosso desenvolvimento e amadurecimento. Coloque-se no paredão, ao invés de colocar o próximo. Se a competição, as regras e as conquistas são veladas, fique atento para que suas atitudes e decisões não agridam os outros.

A grande virtude do GANHADOR é voltar a se sentir um LUTADOR, e não um CAMPEÃO. Quanto mais um LUTADOR ganha, mais respeitosa deve ser sua LUTA.

Cuidar das reações imediatas é cuidar das percepções alheias.

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