Confesso que há muito tempo não escutava alguém pronunciar essa palavra no dia a dia de maneira corriqueira e, se ouvi em algum momento, deve ter passado de maneira despercebida. Quando uma palavra soa em minha cabeça como um sino, logo procuro reviver o seu entendimento na essência – acho que é até um vício da minha costumeira curiosidade.

Com a velocidade de encontrar significados disponíveis em nossas mãos, esse hábito se tornou ainda mais latente e lá fui eu novamente em busca de compreensão não só do seu significado, mas também do que o termo poderia ter a ver com os nossos dias.

Ao pé da letra e como resultado imediato da minha pesquisa, a expressão misericórdia tem origem latina e é formada pela junção de miserere (ter compaixão) e cordis (coração). De cara, a etimologia da palavra já conversou comigo. “Ter compaixão do coração”significa ter capacidade de sentir o que a outra pessoa sente, de aproximar seus sentimentos dos sentimentos de alguém, de ser solidário com as pessoas.

Enfim, está aí mais uma oportunidade de falar da empatia, uma palavra tão atual e de imenso significado a ponto de se transformar, pelo menos em nosso meio de comunicação, no verbo empatizar, que quer dizer agir proativamente para tentar vivenciar a situação ou a experiência do próximo.

Na disciplina de Design Thinking, metodologia que venho estudando há algum tempo, empatizar é, sem dúvida, o ponto crucial para trazer à luz toda transparência de um determinado assunto ou problema. Aprendi que existe uma profunda diferença quando alternamos a maneira de empatizar.

A primeira aptidão do exercício da empatia é a sua pré-disposição em querer realmente conhecer a fundo como as pessoas se comportam, sentem, experimentam, convivem e reagem sobre determinados assuntos, produtos ou situações.

Para aprofundar o entendimento de maneira conclusiva, é necessário ativar três caminhos. O primeiro é a observação a distância, que propicia adquirir conhecimentos naturais das pessoas sem que elas se preparem, ou melhor, se protejam de realidades constrangedoras. É na observação que conseguimos avaliar gestos espontâneos, reações imediatas, ações empíricas, entre outras atitudes expressadas sem filtros.

O segundo caminho é a vivência real do empatizador; é literalmente se colocar no lugar do outro em suas mais intensas experiências. No caso hipotético de empatia por um motoboy, será necessário vestir a capa de chuva, colocar o capacete, andar pelo trânsito caótico, aguardar em portarias, carregar as mercadorias, viver o seu dia a dia de maneira real e integral; é, na realidade, tornar-se um motoboy na essência.

E por fim,  a pesquisa de empatia. Trata-se de um papo muito aprofundado de livre expressão em que se busca provocar as lembranças vivenciadas e extrair os sentimentos de experiências tanto positivas quanto negativas e percepções arquivadas na memória das pessoas que possam validar as conclusões das outras duas técnicas.

Antes de me envolver com o Design Thinking e suas maravilhosas ferramentas de trabalho, tinha uma compreensão limitada de como desenvolver empatia holística. Nessa busca, também aprendi com maior ênfase o papel relevante da compaixão ao conhecer maneiras mais técnicas de conhecimento do próximo, suas dores, ponto de vista, razões e orientação.

Você pode não ter interesses diretos nessa área, mas com certeza compreende as formas de desenvolver a empatia e, por consequência, a compaixão de que tanto ouvimos falar.

Quem se pré-dispõe a entender o próximo tem grande chance de evoluir como profissional e principalmente como pessoa.

Informe seu e-mail:
ME INSCREVER

Receba meus artigos diretamente no seu e-mail

Se mantenha atualizado, assim que postar um novo artigo no blog você será avisado.
close-link