Tiraram o meio de campo, e agora?

Para conseguir explicar uma situação no ambiente de trabalho, é muito normal fazermos analogias e uma das mais utilizadas é o futebol. O que faz com que este seja o melhor referencial é o fato de que existem regras claras, aplicáveis e principalmente seguidas, pois quem não as acata está literalmente fora do jogo.

Sendo assim, vamos a mais uma destas analogias com a qual espero conseguir passar um dos cenários vivenciados pela grande maioria das empresas nos dias de hoje.

Muitas empresas estão vivenciando um processo de readequação dos seus custos, frente à inevitável redução de suas margens de contribuição. Decidir aonde deve ser mexido é sem dúvida a decisão mais estratégica e corajosa de um dirigente.

Neste momento são avaliados todos os riscos. Se tirar da defesa, iremos abrir a guarda e tomar gols, se tirarmos os artilheiros, não teremos êxito no placar. Com este cenário, é fácil concluir que o meio de campo passa a ser menos importante no processo, e assim, a decisão se torna aparentemente a mais coerente, cortam-se os meios campos, jogadores com extrema habilidade de administrar as pontas, de apoiar e servir, proteger e dar suporte às defesas, como também aos ataques, mas por não serem finalizadores acabam por ter uma desvalorização e são cortados.

Com este novo cenário, como dimensionar as novas atribuições para aqueles que protegem o gol e aqueles que fazem os gols? É muito provável que a bola, que numa empresa representa a tarefa, comece a parar no meio e, não tendo mais o meio campo, de quem passa a ser aquela atribuição?

Quem deve impor mais força para avançar a bola ou retornar para buscá-la? Alguém contou como seria o jogo sem este meio campo?

Sabemos que o bom time é aquele que preenche o espaço do campo, que coloca a bola no pé do outro e ainda corre ao lado para dar assistência contando com a astúcia e habilidade inerente a cada jogador da posição.

O que vem acontecendo nas empresas e seus times, é que a bola anda parada, a defesa não impõe um pouco mais de força sabendo que não existe mais o meio campo e o ataque está esperando a bola chegar sem se esforçar para buscá-la.

Quem está errado? Ninguém e todos. Não existe regra para esta situação, espera-se consciência das partes, e responsabilidade dos envolvidos.

Em momentos como o vivenciado agora, é preciso haver uma enorme reflexão sobre a consciência dos fatos, empresas não querem reduzir por vontade própria e ao mesmo tempo o jogo não pode parar. Os times necessitam ganhar jogos para permanecerem nos campeonatos, jogadores necessitam de seus empregos assim como aqueles que estão em volta, juízes, gandulas, preparadores, camareiros e treinadores.

Responsabilidade é uma tarefa a ser desempenhada por todos, sem pedidos ou súplicas, todos estão e são comprometidos com o êxito do time. O respeito se dá quando a entrega da promessa é feita em sua totalidade e por ambas as partes e é claro, estamos falando de times íntegros e leais.

Entregar algo a mais em tudo que se pré-dispõe a fazer, é algo individual, que está dentro de cada um, diz respeito a sua integridade, ao respeito e valor que se dá a relação em que está envolvida. Tem a ver com o motivo, por quem está se esforçando e o porquê.

Vivemos um momento delicado ou pelo menos atípico em nossas vidas, as pressões e acontecimentos estão provocando imensas mudanças, impactando diretamente na forma com que nos relacionamos com tudo aquilo
que nos rodeia.

Somos por natureza, seres humanos resistentes à mudança. Nos escondemos, nos protegemos, mas quando menos esperamos, a mudança nos pega em cheio e vem com maior força, fazendo com que tenhamos, queira sim
ou não, que nos adaptar independente de gostarmos ou não.

Sendo assim, este meu pensamento e porque não dizer, convite, tem o intuito de provocar uma profunda reflexão sobre a conscientização dos fatos, principalmente aqueles que ainda não nos atingiram, mas que podem chegar de
uma hora para outra. Temos a tendência de achar que as coisas jamais irão acontecer conosco e assim procrastinamos mudanças necessárias e até vitais em nossas vidas, deixamos pra lá, ignoramos os fatos e as dores do próximo.

Será que não chegou a hora de pensar no time, nas pessoas dependentes ao redor deste imenso campeonato que é a vida, será que não podemos ser mais amáveis, solícitos, prestativos e amorosos? Será que não podemos abaixar a guarda de nossos tolos orgulhos e soberbas e passar a ser mais humanos, afáveis, abertos e colaborativos?

Existem muitas pessoas, assim como eu, tentando manter o seu time competitivo, honrado, idôneo, verdadeiro e nãofalo somente como um empresário, mas sim como um homem, falo sobre as famílias, relacionamentos, amizades, falo sobre políticos, dirigentes, gerentes, coordenadores, operacionais e estagiários.

Enfim, falo sobre jogadores dos mais variados esportes e posições. Imprimam mais força, voltem para buscar a bola, deem o máximo dentro de campo, senão pelo time, pelo menos por você, por sua vida, por seus motivos!

Chegou a hora de acordarmos, por todos, mas principalmente por nós mesmos, pois toda mudança começa por uma única atitude, a sua!

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