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Liderança para quem acha que não tem nada a ver com isto

By 12 de setembro de 2016 No Comments

Quero expor para você alguns assuntos relacionados a liderança, supervisão, exemplo, construção de bases, crescimentos profissional e visão de futuro. Muito do que eu for expor aqui possivelmente já exista de certa maneira inserida em suas memórias, mas o intuito é de reativar alguns conceitos e experiências.

Para que se compreenda a minha intenção com este texto e para que se tenha um melhor aproveitamento das minhas colocações, terei que voltar um pouco no tempo.

Desde os meus primeiros ímpetos empreendedores, ficou bem claro que o meu crescimento só se daria caso eu tivesse a capacidade de terceirizar as minhas funções para que o meu tempo fosse, a cada momento, tendo mais relevância estratégica do que operacional e que também tivesse a capacidade de gerir uma pessoa na função desejada para que as coisas acontecessem de maneira fluida.

Na teoria, é muito fácil ter esta compreensão, mas, na prática, este é sem dúvida o maior desafio em se construir uma engrenagem formada por pessoas e que possam dar continuidade de maneira orgânica, atribuindo ainda a esta difícil tarefa a soma de tantos desejos de cultura, comportamento, atitudes e entregas das quais pensamos necessitar acontecer.

Pare um instante e rapidamente irá perceber a dificuldade em fazer com que tantos pratos fiquem equilibrados e girando simultaneamente. Olhando por este prisma, é algo praticamente impossível de se fazer, mas nós, empreendedores, desafiamos esta impossibilidade e tentamos a duras penas construir uma engrenagem capaz de se equilibrar concomitantemente aos exercícios do aprendizado e crescimento.

Ser líder parece algo físico do ponto de vista operacional, mas na realidade é uma tarefa da qual se necessita muito e muito tempo de testes e mais testes para que os nossos desejos se tornem eficientes, eficazes e, principalmente, sustentáveis nas mãos dos liderados.

Construir esta pirâmide de cartas não se trata simplesmente de um querer, ou de uma vontade, trata-se de uma vocação que condiz com as nossas essências em transformar algo solo numa orquestra harmoniosa e, neste sentido, como fazer e o que é preciso fazer no dia a dia para que os componentes desta banda acreditem que um dia estarão numa orquestra. E mais, que terão futuro, que construirão firmes pontes frente aos seus desejos. Como apresentar a todo momento uma crença capaz de retê-los, capaz de motivá-los diante de todas as dificuldades encontradas?

O fato de buscar o crescimento, de uma empresa ou mesmo no campo pessoal, passa praticamente pela mesma estrada, os resultados almejados são consequências diretas das nossas atitudes e intenções, não há crescimento isolado, pessoas e empresas necessitam de colaborativismo, de ensino, de exemplo, de alinhamento de culturas e, principalmente, de orientação, diálogo, norte, feedback, referências, comparativos, tempo de voo, estudo, atenção, atitude, altruísmo, posicionamento, resiliência, reflexão, tempo, paciência, estratégia e, para cada uma destas necessidades, poderíamos descrever mais tantas outras  reflexões como tentativa de compreensão de cada uma destas partes.

Diariamente fico pensando em como proceder da melhor maneira frente à minha equipe, como dar mais exemplos positivos, como atribuir aos meus comportamentos e atitudes um campo magnético capaz de retê-los diante dos enormes desafios a que estamos expostos, trata-se da vida de cada um, todos pensam em seus futuros, em suas apostas. Todos avaliam seus resultados, suas evoluções profissionais e assim por diante, e é neste campo que quero abrir uma brecha em seus raciocínios.

Pense o seguinte, se neste momento em que se indaga como poderei ter crescimento profissional, aí está a oportunidade e a necessidade do desenvolvimento da liderança. Pense em quantas pessoas e oportunidades já tiveram com pessoas abaixo de você e quais os motivos pelos quais elas se perderam. Onde estão, será que poderiam estar até hoje ao seu lado construindo a sua escadaria? Como reter com maior intensidade as pessoas que estiveram sob a minha liderança? Por que as pessoas se vão? Por que elas ficam ao nosso lado? Quais os reais motivos destas duas situações?

Formar e reter pessoas que possam estruturar as nossas pontes deve ser uma opção e não um acontecimento, ninguém fica ao nosso lado sem muita dedicação, trata-se de uma troca constante, precisamos escolher, mas logo depois necessitamos ser escolhidos.

Todos os dias faço um balanço e observo quantos querem estar aqui e quantos gostariam de estar em outros lugares, temos este poder em nossas vidas, sentimos as pessoas e conseguimos avaliá-las e, se quisermos, conseguimos ou não ter atitudes diante de nossas percepções. Não é uma ciência exata nem algo 100% funcional.

Um exercício que faço constantemente é o de me colocar realmente no lugar da pessoa, tento enxergar com os olhos dela, avalio suas possíveis percepções, avalio os esforços para estar presente aqui todos os dias, de onde vem, para onde vai, como se comporta no dia a dia, o que faz a mais ou a menos, suas ansiedades, motivações e desmotivações diante dos acontecimentos.

Todo este texto tem um único intuito: de propiciar uma reflexão e preparar-lhe melhor para esta nova oportunidade que a vida nos concede diariamente. Neste sentido, quero propor a você, leitor, que imprima, a partir de agora, uma nova liderança mais focada, séria, construtiva e que extraia dos seus liderados, sejam eles quem forem, nada menos que o melhor. É preciso desafiá-los, criar questionários de entendimento, provocá-los dentro de uma evolução consecutiva a cada dia. Force a evolução, teste, teste e teste, puxe a orelha se necessário, mas assuma a liderança propulsora, estimule o próximo como gostaria de ser estimulado, crie o seu sucessor sem medo, sem inseguranças.

Mostre um caminho, corrija algumas deficiências que talvez exista em você e que possa otimizar na personalidade do próximo. Confesso que sou bagunceiro, então sempre procurei ter pessoas organizadas ao meu lado e assim por diante. Pense grande, construa um novo profissional para que possa colocá-lo à frente e delegue conforme for entendendo sua capacidade. Nada será do dia para a noite, não estou orientando pressa e sim assertividade diária nesta condução.

Pense como líder, independentemente de não o ser hoje. Lidere a si próprio, construa a sua base para tal, cresça sob o entendimento de se construir uma base para levantar voo. Você só poderá fazer mais, ao mesmo tempo, se conseguir administrar uma pessoa para continuar fazendo o que faz com capacidade semelhante. Para nós, nunca ninguém fará aquilo igual fazemos, mas, na verdade, pode fazer até melhor, caso você se pré-disponha a ensiná-lo com as suas experiências. Ser igual a você, jamais! Esta é uma utopia e talvez um dos maiores erros em liderar pessoas. No fundo, precisamos compreender habilidades e características e assim otimizá-las ao máximo.

Lembre-se que nem o próximo, nem ninguém a sua volta, tem como objetivo primário serem grandes amigos, isto deve ser uma consequência natural da vida, precisamos ter nas relações muito respeito e principalmente admiração profissional. Não tente conquistar o próximo pela intimidade ou amizade pessoal, o foco deve estar centrado no profissional, pelo menos até que ele dê os primeiros sinais de maturidade.

A estrada é longa, dura, cheia de buracos e situações que sempre farão com que estes jovens que hoje estão nas empresas pensem nas possibilidades e oportunidades do mundo afora; estão ansiosos, ávidos por crescimento, aprendizado, velocidade, são muito mais rápidos que possamos compreender, têm muita informação horizontalizada e pouca profundidade, que alcançam em fração de segundos caso precisem, mas, por trás de tudo isso, são como todos, querem atenção, oportunidades, desafios e espelhos capazes de motivá-los.

Construir profissionais, homens e mulheres de caráter, equilibrados, com capacitação para enfrentar os novos tempos, as novas demandas, é uma meta de todos, em todos os tempos. Muitos precisam de nós assim como sempre precisamos dos nossos mentores, uns mais, outros menos.

Como questiona um ditado sobre a diferença entre o esperto e o sábio, escolha ser os dois. Os espertos aprendem com os seus próprios erros e os sábios com os erros dos outros.

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